j. mombaça, eusou outro, lobo errático, espaço vazio puro, [ ] , *óperas silenciosas, tímpanos estilhaçados*

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Las Vegas Soneto

frequento as portas dos fundos,
as contravárzeas -
entre os malfazejos e mendigos,
lixos secretos na Tropicana Ave.

anjos cropofágicos e golden showers...
frequento as portas dos fundos
por onde entra a cocaína
e as putinhas menores de idade.

prozac, no problem,
glory hole united states
camisas de força, de vênus

um passeio tráfego na Desert Inn
o crash dos carros adivinha
a noite insilenciosa nos grandes salões

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

carnaval em chernobyl

falves silvas insolenes
atravessam, diáfanos
a luz deficiente que nos banha as casas
e ruínas,
enquanto eu fumava pedra
na manhã rarefeita

quem te assassinou, cidade,
desde a paíxão-mulher de moacy?
e por que você sobreviveu?

quem te assassinou, cidade,
desde a saúdade de civone?
e pra que você sobreviveu?

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012



Natown- Narrativas sobre o que nunca foi – As pessoas no salão de jantar
Período: 18 de abril a 18 de junho
Hora: 8h às 21h (segunda a sexta)
Local: galeria do Departamento de Artes da UFRN
Entrada gratuita
Informações: www.natown.blogspot.com

domingo, 8 de janeiro de 2012

"El fenómeno del 'secreto a voces', como se podria pensar, no provoca el desmoronamiento de estes binarismos (privado/público, sujeto/objeto, dentro/fuera,...) y sus efectos ideológicos, sino que constata su fantasmagórico restablecimiento." D. A. Miller, "Secret Subjects, Open Secrets", The Novel and the Police, p.207.


A nudez do feio

Passa pela compreensão do corpo como célula política (poder-corpo) uma pragmática da exposição como rasgo da paisagem normativa que nos quer servir de céu absoluto, como não conformação aos limites que nos são oferecidos pelas normatizações dominantes, da transposição das fronteiras que, apesar de delimitadas à revelia de nós, produzem interditos experimentados cotidianamente em nosso próprio corpo. Se há um tipo de poder movido no sentido de fazer público o que "é de ser público" e relegar ao privado aquilo com que a sociedade "não pode/deve/consegue" conviver, há, em contraponto, posturas (micropolíticas) que miram a superação desses (micro)fascismos que ensejam conceder visibilidade a práticas dominantes e buscam, por meio de teias invisíveis, negar existência às práticas ditas desviantes.

Nos tempos da hiperrealidade, onde corpos esculpidos em computador figuram como tipo ideal de beleza - hipérboles inalcançáveis - e objetivo que norteia a vida paranóica de gente desesperada que se violenta para conseguir ter (comprar) esse corpo (hiperreal) construído em photoshop ou em clínicas de cirurgia plástica, há cada vez mais corpos "imperfeitos" para os quais a beleza é negada. A esses corpos restaria o confinamento, a não exposição. Pergunte a qualquer entendido de moda e ele lhe dirá: um gordo bem vestido é aquele que dissimula, ao máximo, o fato de ser gordo.

Tenho 20 anos, quase 1.80 e mais de 120kg. Eu já nasci grande e pesado, e desde sempre adoro comer e por isso me mantive pesado, apesar da coerção insistente de minha família (a polícia do lar) para que eu adequasse meu corpo ao paradigma estético e saudável vigente. Meu corpo é um corpo doente (obeso), estranho e feio. Lembro de quando, aqui em casa mesmo, não sei se em tom de briga ou de chacota, minha irmã mais velha sugeriu que eu, sendo como sou (ou para ser mais exato, como aparento ser), me trancasse em meu quarto e não saísse mais. Absolutamente não odeio minha irmã por isso, e hoje em dia até convivo muito bem com minha família, mas não posso deixar de observar a ressonância de um discurso normativo, arbitrário e fascista impregnado à forma como fui, ao longo da adolescência, "no seio do lar", constrangido a adotar para mim uma dieta para efeito de controle de peso - e, nas sublinhas, para efeito de controle da minha própria vida.

Não expor esse corpo (doente, estranho e feio), mantê-lo trancafiado no quarto (armário), seria uma escolha, ao mesmo tempo que mais confortável para mim (todo armário como que nos oferece certa segurança), mais confortável para o padrão, que permaneceria intacto. Mas eu tenho um corpo que vibra, que sente, que pulsa, um corpo cujas vísceras gritam, um corpo que não se conforma, que não aguenta mais as coerções às quais tem sido submetido, um corpo que quer expor sua nudez, sua sinceridade e seu desvio, um corpo que quer desmantelar, em sua própria experiência, aquilo que a sociedade tem querido fazer dele.

A nudez do feio é, sobretudo, uma forma de posicionamento político, onde o que está em jogo é a liberdade de não ter de esconder-se, de não ter de dissimular o próprio corpo em favor de uma hiperrealidade inalcançável. O corpo informe que se apresenta a uma platéia insensível, que se expõe em sua fragilidade, que opera rasgos no horizonte e que desenha na cena sua irregularidade, sua imperfeição, sua inadequação. É o corpo que sai do armário para, nesse processo, inscrever sua beleza insuspeitada na hiperrealidade feia da paisagem photoshopada, lipoaspirada, siliconada, maquiada e paranóica.

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Michel Foucault. "Poder-corpo", em Microfísica do Poder.

Eve Kosofsky Sedgwick. "Epistemología del Armário", em Epistemología del Armário.

Peter Pál Pelbart. Vida nua, vida besta, uma vida.
contrassoneto

aqui

2012

minha vida não vale nada, e já pesa. os filhos perguntam:
"pai, você quer um mundo melhor?"
"fomos expulsos do mundo melhor."
e calo.
eles insistem: "então que fazer dessa humanidade?"
"à humanidade só nos resta desertá-la."

sábado, 7 de janeiro de 2012

“Na performance em telepresença, o gesto do artista traz seu corpo, corpo espectral certamente, mas corpo presente e impuro, profano e apto a "presentação". Os artistas das artes corporais, em telepresença, talvez sejam apenas vestígios, com afirma Paul Virilio – preferimos chamá-los espectros – mas, estes vestígios estão repletos de subjetividade e prontos para a interlocução. O cenário, a coreografia, a “CIBER-ABSTRAÇÃO coreográfica”, na performance art em telepresença, guardarão sua parte de real (o corpo próprio, o corpo próximo e o espaço próximo para cada ponto de recepção-emissão), terão sua parte de virtual (o visionado no computador ou na tela para cada ponto de recepção-emissão), e a parte de criação de cada um, esboçada em grupo, para aqueles que possuem os softwares para interação.” http://www.corpos.org/telepresence2/index.html e http://www.corpos.org/teleperformance/index.html e http://www.corpos.org/papers/corporificacao.html



Festa na Trincheira - Teleperformance


Ocorreu-me investigar, num dia desses, percursos possíveis da performance no twitter – não tinha ainda entrado em contato com as idéias de Maria Beatriz Medeiros, ou com a webarte do grupo Corpos Informáticos (corpos.org). Interessava-me, confesso que de forma bastante prematura ainda, experimentar uma corporalidade enganchada no tempo, e um tipo de relação efetiva com o outro – que implicasse desdobramentos vitais – embora os corpos guardassem de si a si certa distância.

Num choque repentino entre uma experiência no portão de casa e o sêmem dessa idéia, foi que emergiu a Festa na Trincheira, que eu, à época, chamei "web-performance". Consistia uma ação em telepresença, via timeline do twitter, com dia e hora marcados, em que eu tuitava instruções aos viventes de minha rede até levá-los a um link com um texto baseado na tal experiência no portão de casa.

- realizada em 03 de fevereiro de 2011 via @loboerratico_ -





esquema conceitual escrito depois da leitura de "o corpo em telepresença" de maria beatriz medeiros


1.corpo espectral, um vulto - incompleto -,
2.no entanto prenhe de vida - dispêndio de vida (ação) -
3.que se gere a uma intersubjetividade (diálogo) e
4.que se desdobra - ou é passível de se desdobrar - para além da telepresença.